sábado, 6 de fevereiro de 2010

Labor

Venho por meio desta
Manifestar meu profundo desapreço
Por qualquer atividade
Que careça de vontade
De abrir mão da consciência
Por qualquer que seja o preço
Pois não há plano de saúde
Nem auxílio-desemprego
Que reponha cada gota suada
E hora desperdiçada
A todo "dignificado"
Que vendeu o seu sossego
Pois que seja então dito
Apesar de qualquer preceito
O sofrimento é dispensável
É a conclusão razoável
Pois em Latim dor e trabalho
Se traduz do mesmo jeito:


LABOR

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Manifesto Coliforme

As coisas que vão soltas
Que jamais sejam presas
Para não haver perigo
De um qualquer deslize
Ou uma indesejável
Surpresa

Lutaremos com fibra!
Causaremos sofrimento
Na hora da vontade
Quem for afobado
Vai ser castigado
Por dentro

Mesmo após a descarga
Não terá fim a briga
Voltaremos sem trégua
Com a mais controversa
E insuspeitável dor
De barriga





quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Corre Queiro

Eu quero o óbvio
Eu quero o igual
Eu quero ser um best seller do Paulo Coelho
Sobre as novelas do Manoel Carlos
Quero ser pseudo-intelectual
Quero comida natural de marca
Sem gordura
Sem açúcar
Sem graça
Quero rir da praça
E chorar do jornal
Quero um filme que eu entenda
E uma música que eu conheça
Nada que dê dor de cabeça
Nem nada que doa
Quero estar na boa
Com a etiqueta
Quero dar gorjeta
E ser abençoado
Quero tudo assim
Nada assado
Bem mastigado
Quero me achar digno de mim
Trabalhar e nada mais
Quero um delivery de ideais
Que nem filho de pinguim





sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Humus Sapiens

Saiu da terra
Minhoca do mundo
Tem sempre dois lados
para tudo

Corria deitado
Caindo de pé
Estava indo de frente
ou de ré?

O corpo sem perna
Evita o tropeço
O lado certo é o mesmo
do avesso

Mas não se vê boca
Quando a fome ataca
Fica com as duas caras
de babaca





quarta-feira, 15 de julho de 2009

A calha

A calha recolhe a água da chuva.
Toda chuva que cai, a calha recolhe.

A calha molhada.
A água encalhada.

Às vezes o vento chacoalha.
E se chove na calha
E a calha escangalha,
Quem passa se molha
Na chuva de falha.

Alguém passou embaixo da calha
Ninguém se lembra, mas naquele dia choveu
Choveu como não chove dia nenhum
E atrapalhado entre idéias e tralhas
Afogou-se na falha
O homem comum

sábado, 27 de junho de 2009

O clímax da celebração
O espetáculo cruel
É o errante no chão
É o perfeito no céu

Falsa adoração

Emerge a vaidade
De causar mais rebuliço
Que o corpo da celebridade

A morte é a melhor propaganda

Quem se aceita um mito
Não esboça um grito
Olha para frente
Mas é pra trás que anda

E agora o mundo finge que chora
E sai dançando
E dando entrevista

Disputando quem é que mais sente
A morte recente
De mais um artista

Mas isso não dura
É a certeza que se tem
O luto forçado
É sempre desviado
Se morre mais alguém